A MeuEntrevistador recebeu hoje o depoimento de Bruna Vontobel, que foi aprovada na Kellogg, escola #1 para MBA nos EUA, pelo ranking do The Economist.

Se esse é teu sonho, não perde tempo. Bruna dá dicas de quem viveu isso na pele!

“Sempre fui uma pessoa bastante planejada. Desde cedo na faculdade, sabia que gostaria de fazer um programa de Trainee e, posteriormente, um MBA no exterior. Isso me norteou minhas escolhas durante a faculdade e me  ajudou a me preparar para essas experiências.

O problema é que quando você começa sua vida profissional e “embala”, fica difícil decidir quando é o momento certo para dar um “passo para trás” e voltar para a escola. Além disso, decidir colocar a “bunda na cadeira” e se manter fiel ao plano de se preparar para o MBA, também requer muita força de vontade.

Para mim, o momento certo foi quando estava no último ano do programa de trainees (programa de 3 anos de uma multinacional). Sabia que estava fechando um ciclo interessante para contar na minha história para o MBA e que estava confortável na minha posição para dedicar minhas noites para estudar. Se deixasse para o ano seguinte, em algum momento seria promovida e teria dificuldades para manter o foco nos estudos.

Com isso em mente, me informei sobre o que seria preciso fazer e me dediquei bastante. Escolhi poucas escolas para aplicar, pensando naquelas que mais combinavam com o meu perfil, e fui aprovada em Kellogg, escola número 1 para MBA nos EUA pelo ranking do The Economist (2017).

Kellogg é reconhecida por ser uma escola muito forte em marketing (já ouviu falar de Kotler? Poisé..é um de seus professores). No entanto, ela excelente em todos os quesitos de negócios, enviando muitos alunos para as melhores empresas de consultoria, tecnologia e mercado financeiro. Além disso, está com foco em inovação/empreendedorismo, inclusive com campus em São Francisco, onde os alunos podem imergir em inovação por um trimestre. O currículo oferece bastante flexibilidade, para que cada aluno personalize sua experiência – com muitas oportunidades de experiential learning (aprendizado com a mão na massa) e intercâmbios.

A cultura de Kellogg é muito marcante – como o moto de criar “brave leaders”, o ambiente é extremamente colaborativo e os alunos têm espaço para liderar e criar inúmeras iniciativas (praticamente tudo lá é liderado pelos próprios estudantes).

 

Aqui vai um resumo dessa jornada e o que você precisa para se preparar:

 

– TOEFL ou IELTS: prova de proficiência na língua inglesa (optei pelo TOEFL, por já conhecer a prova)

 

– GMAT ou GRE: prova de raciocínio lógico em inglês (optei pelo GMAT, por ser a prova mais conhecida, com bastante materiais e cursos disponíveis)

 

– Essays: redações em inglês para cada faculdade – cada escola faz duas a três perguntas (podendo ser bem abertas ou específicas) que devem ser respondidas em forma de redação

 

– Currículo e histórico escolar: currículo profissinal e histórico escolar da faculdade (e pós, se aplicável)

 

– Cartas de recomendação: em geral, duas cartas de recomendação de superiores

 

– Entrevista: entrevista feita com time de admissions da escola ou com algum ex-aluno treinado para entrevistar

 

Alguns comentários sobre cada uma das etapas – na minha perspectiva.

 

TOEFL: o TOEFL é uma prova relativamente fácil para quem se sente confortável com inglês, mas nem por isso, não requer algum treino. Algumas escolas determinam uma pontuação mínima – que é bem alta. Por isso, é importante conhecer a prova e suas etapas – reading, listening, speaking e writing. Se você manja de inglês, há bastante material disponível na internet. Você pode baixar um simulado oficial, ver quais seus pontos fracos e estudar com vídeos no YouTube, por exemplo. Vale lembrar que o resultado do TOEFL só vale por 2 anos.

 

GMAT: o GMAT é uma prova em que você corre contra o tempo. O conteúdo de matemática é basicamente o que aprendemos no ensino médio e o mais importante é aprender os macetes, para conseguir resolver as questões rapidamente. Já em inglês, é preciso saber gramática, compreensão de texto e raciocínio. Em uma primeira olhada, os exercícios parecem muito difíceis, mas conforme você pratica, entende onde procurar as respostas. Vale procurar por professores particulares ou escolas especializadas nisso. Acho que meu erro aqui foi não ter me informado o suficiente antes de começar, por essa razão, mudei de estratégia ao longo do caminho – estudei sozinha, contratei uma escola para GMAT, até que finalmente encontrei professores particulares (de fora do Brasil) que me ajudaram a entender a prova e a aprender os macetes. Como os resultados valem por 5 anos – pense na possibilidade de fazer com antecedência.

 

Essays: as redações são particulares de cada escola, mas em geral, você precisa demonstrar sua capacidade liderança (e para isso você não precisa ter tido um cargo de liderança) e de trabalho em equipe, seu caráter e seus objetivos de carreira (e como o MBA pode te ajudar a chegar lá). Aqui que faz diferença você escolher as escolas criteriosamente. Primeiro, porque dá trabalho fazer cada redação bem feita; segundo, porque é aqui que você demonstra o fit com a escola – ou seja, porque você combina com a escola. Dedique tempo e faça sua auto-reflexão – isso certamente fará diferença.

 

Currículo e histórico escolar: as notas da faculdade têm um peso importante (principalmente se sua nota do GMAT não é muito alta). O currículo irá demonstrar seu progresso na carreira e suas entregas (aqui é extremamente importante mostrar resultados e números que comprovem isso), além do seu envolvimento em atividades extracurriculares (acadêmicas, estágios, trabalho voluntário, esportes).

 

Cartas de recomendação: mais importante do que o cargo de quem está escrevendo, é o quanto a pessoa te conhece. Prefira um gerente a um VP, se o VP não sabe falar com detalhes do seu trabalho, suas entregas e seu caráter. É importante ter ao menos uma do seu atual gestor (ou algum bem recente). Eu, como trainee, peguei com dois gerentes – um havia sido meu superior imediato e outro, meu cliente interno.

 

É importante ter claro que sua candidatura será avaliada como um todo, uma nota muito alta no GMAT não garante sua aprovação, nem uma nota baixa (ou mais baixa do que a média da escola desejada) te elimina automaticamente. Você precisa ter um equilíbrio entre todos esses elementos acima e conseguir compensar um ou outro ponto fraco, caso seja necessário. Por exemplo, você pode compensar um GPA (nota final média da faculdade) não muito alto, com um bom GMAT, atividades extracurriculares e progressão na carreira.

Um consultor para application para MBA tem um papel essencial para ajudá-lo a avaliar o quão forte é cada um dos itens acima no seu caso e a montar a sua história – conectar suas experiências, seus planos futuros e definir a estratégia das escolas para aplicar (com base nos seus interesses e potencial do seu application). Os consultores mais conhecidos no mercado oferecem pacote de R$ 5.000 a R$ 10.000, dependendo do número de escolas.

 

Entrevista: a entrevista já faz parte da segunda etapa, depois de você finalizar seu application online e ter sido pré-selecionado. Ela é feita pessoalmente (no Brasil mesmo) e o objetivo aqui é entender:

  • se você realmente sabe como o MBA faz sentido em sua carreira e por que nesse momento
  • seu caráter
  • suas conquistas
  • o quanto você conhece a escola que está te entrevistando (a relação ‘alunos aprovados/alunos que se matriculam’ têm um peso grande no ranking das escolas, por isso elas querem ter certeza de que você irá para lá, caso te aprovem)

Eu fui entrevistada por um ex-aluno da escola e acho que o importante foi saber contar minha história e conectá-la com o MBA, conhecer bastante da escola escolhida e conseguir mostrar um pouco do meu jeito/senso de humor. Encontrei também alguns pontos em comum com o entrevistador e relacionei minha história com isso. Há profissionais especializados em preparação para entrevista, mas os consultores da application já conseguem ajudar bastante com isso.

 

Depois da entrevista, é preciso sangue frio e paciência para esperar os resultados que podem demorar 1 ou 2 meses para chegar. Por fim, algumas dicas que acho importantes você ter em mente, principalmente se ainda está na faculdade ou começando sua vida profissional e gostaria de fazer um MBA:

  1. Planeje desde já o seu caminho – quais experiências estão te faltando e o que você pode fazer a respeito. Lembre-se, você pode demonstrar liderança através de envolvimento acadêmico, trabalho voluntário, esportes. Experiências no exterior ajudam a mostrar flexilibilidade, coragem e exposição ambientes multiculturais.
  2. Comece seu planejamento financeiro. Há alternativas de finaciamente no exterior, mas é melhor ter a opção de escolher se você quer tomar um empréstimo ou não. Aliás, o processo de preparação e provas já requer um investimento alto.
  3. A cada ano, faça uma reflexão das suas principais conquistas, seus resultados e tome nota. Isso te ajudará muito na hora de montar seu CV.
  4. Quando decidir pelo MBA, entenda o que você espera dessa experiência e busque o máximo de informações de pessoas que já passaram pelo processo: pesquise os melhores professores/cursos/consultores para te ajudar nesse processo.
  5. Estude as escolas e entenda o perfil de cada uma delas – através de seus sites, mas principalmente de conversa com ex-alunos e participação no eventos de admissão (muitas escolas vêm ao Brasil). Isso te ajudará a economizar muito trabalho na hora das Essays e te fará fazer cartas melhores para as escolas que realmente importam.”

 

– Post por Bruna Vontobel

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