Você revisou seu currículo, praticou sua apresentação pessoal, checou perguntas comuns feitas em entrevistas de emprego e revisou algumas histórias do passado que você pode usar durante a entrevista.

Tudo está muito bem, e você está se sentindo confiante. Quando o entrevistador diz, “Conte-me sobre um momento onde você discordou do seu supervisor”, você está pronto para entrar direto em uma situação passada em que você corajosamente confrontou seu diretor sobre uma campanha de Marketing que você teve um bad feeling sobre.

Ok, isso talvez não soe como você gostaria para o entrevistador. Vamos dar um passo para trás e falar sobre como você pode escolher as histórias certas para demonstrar os comportamentos desejados.

1. Escolha a história certa.

Todas essas perguntas que começam com “Me diga um momento onde…”, demandam histórias. Como um recrutador, é extremamente insatisfatório entrevistar alguém que não tenha histórias pra dividir. Afinal, como alguém pode saber o que você pode fazer, se você não consegue contar o que fez? Não seja esse candidato.

Então, como você encontra as histórias certas pra contar? Olhe para as habilidades demandadas da vaga que você está aplicando. Você provavelmente vai encontrar palavras do tipo: “habilidade de trabalhar em equipe e independentemente”, “confortável com tarefas simultâneas”, ou “forte capacidade de comunicação interpessoal”.

Então, venha com exemplos onde você demonstrou cada uma dessas habilidades – mas mantenha em mente que você não necessariamente precisa de um exemplo para cada uma delas. Na real, é melhor você vir com histórias flexíveis, já que você terá que adaptá-las para essas perguntas de qualquer forma.

Há também, é claro, algumas perguntas que o recrutador fará e que não estarão constando na descrição do escopo de trabalho. Esteja preparado para perguntas cruéis, como “Me conte sobre um momento em que você teve que lidar com um conflito no seu time”, ou “Me conte um momento em que você falhou”. Não é que os recrutadores estão aí para te ferrar – como você lida com conflitos e falhas são coisas boas de se saber – e não é exatamente o que eles querem colocar na descrição da vaga, afinal não seria uma boa ideia incluir no escopo de trabalho algo como “terá que lidar com conflitos do time”.

Finalmente, faça um brainstorm sobre algumas potenciais perguntas que poderiam aparecer, baseadas na posição em que você está aplicando e sua situação em particular.

Por exemplo, se você tem um espaço em branco no seu currículo – alguns anos em que você não trabalhou, nem estudou – esteja pronto para falar sobre isso.

2. Pontue claramente aonde você quer levar o recrutador

Uma vez que você já está treinado com as suas histórias, é hora de pensar um pouco mais profundamente sobre o por que de essas serem as perguntas feitas pelos recrutadores em primeiro lugar. O que o recrutador realmente quer saber?

Tire alguns segundos pra pensar sobre isso antes de começar a responder a questão – mesmo se você tem a história perfeita preparada – para que você possa fazer uma introdução apropriada sobre o que – no final das contas – você quer apresentar com a sua história.

A pergunta pela qual o recrutador te questiona sobre momentos do passado é porque ele realmente quer saber sobre como você lida na resolução de situações. O problema com isso é que aquilo que o recrutador extrai da sua história pode ser completamente diferente com o que você realmente quer dividir.

Por exemplo, vamos dizer que você quer contar aquela história onde você se posicionou com o diretor de Marketing quando perguntado sobre o conflito com seu supervisor anterior. Você – de forma eloquente – divide a história sobre como você demonstrou um desconforto sobre a nova campanha de Marketing (importante: divida os motivos pelo qual você estava desconfiado) e o time não se moveu – mas uma vez que os números vieram, ficou claro que você estava com a desconfiança certa. Você demonstrou os números para o diretor, e ele concordou em descartar a campanha.

Essa história cabe super bem em uma entrevista de emprego, mas pode ser interpretada de várias maneiras. O recrutador pode se agarrar ao fato de que você não fez nada de fato até que fosse tarde demais, o que você foi pouco persuasivo ou teve uma pobre capacidade de comunicação quando levantou no primeiro momento seus desconfortos com a campanha.

Para garantir que suas histórias sejam absolutamente efetivas, faça uma afirmação antes de começar a contar a história. Nesse exemplo em particular, pode ser algo assim, “Eu aprendi bem cedo na minha carreira que é totalmente OK discordar de meus superiores, se sou capaz de me provar com os dados”. Agora, quando contar sua história, não é sobre o que você poderia ou deveria ter feito, mas sim sobre o que você aprendeu das experiências que teve e como isso é usado para futuras situações de “eu discordo disso” no trabalho.

3. Termine com Personalidade

Portanto, quando é sobre perguntas comportamentais, tenha algumas histórias preparadas e então pratique-as focando nas perguntas recebidas. Treine, treine, treine e você – muito em breve – estará falando sobre todas elas naturalmente.

A peça final do quebra cabeça é a conclusão das respostas que você dá. Você não quer fechar sua história perfeita terminando com um, “Então… é isso aí.”.

Ao invés disso, tente conectar sua história com a empresa ou a posição. Explicar rapidamente como sua experiência poderá ser útil para a posição que você está aplicando é sempre uma forma de terminar com personalidade.

Outra forma de fechar a história é dar uma resumida na resposta que você quer transmitir. Por exemplo, “Enfim, não é que sou um super multi tarefas – eu só reviso minhas prioridades e atividades com frequência”. Concluir uma resposta de forma marcante é uma dica que ninguém te conta na hora de se preparar para uma entrevista de emprego, mas pode realmente te ajudar a reforçar a ideia (ou a impressão) de que você é um excelente comunicador, então não menospreze essa parte quando estiver treinando.

O ponto aqui é que as pessoas pensam que essas questões são todas sobre as história que você tem pra contar. E, sim, esse é um componente crítico.

Mas mesmo se sua história não for exatamente o que o entrevistador perguntou, se for bem formatada pode te levar além, mostrando exatamente o que o recrutador que extrair de você, e pode deixar uma impressão ainda mais marcante.

Portanto, não estresse muito em ter as histórias perfeitas alinhadas, ou a experiência mais relevante preparada. Foque nas mensagens que você quer comunicar e transmitir para o entrevistador, e apoie as mensagens com a história que você tem por trás. A história nada mais é do que o pano de fundo das habilidades que você quer demonstrar!

Leave a comment