Quatro meses atrás, eu escrevi um artigo para o LinkedIn que sugeria uma única pergunta poderia matar a questão para os dois lados: os que estavam à procura de um emprego e os que estavam empregando.

“O que você fez para se preparar para essa entrevista?”

Explicamos que, quanto mais minunciosa e estudada essa pergunta, melhor para os dois lados da mesa.

Mas o quê, exatamente, minunciosa e estudada significam?

SURPRESA: não envolve somente saber o que dizer sobre o quão maravilhoso-imbatível você é – conquistas, habilidades, e por que você é o candidato ideal para a vaga.

 

Claro, você precisa se vender. Você precisa estar pronto para responder o usual, “Quais são suas forças e fraquezas”, e essa ladainha toda que já conhecemos. Mas, na minha experiência, o que realmente pode mudar o jogo na hora de se preparar para uma entrevista é mais do que isso. Envolve cavar fundo, através de pesquisa e auto análise, para que se possa responder com critérios três grandes questões.

Primeiro – qual é o placar?

Olha só: o mundo dos negócios é um jogo, e a empresa te entrevistando está jogando. Está lutando por clientes, market share, e se esforçando para inovar. Pode ser dolorido – com amplos resultados. Ou pode estar apanhando para se ajustar às mudanças da indústria 4.0. O ponto é: para estar verdadeiramente preparado para uma entrevista, você deve saber o contexto da conversa que está prestes a ter.

Até mesmo porquê não há motivo em explicar o quão bom atacante você é, se a empresa estiver procurando por um zagueiro. Monte o case que você pode jogar – e vencer – no campo de batalha deles.

 

Segundo – qual é a história da vida deles?

No mundo digital em que vivemos hoje, você pode estar certo de que seus entrevistadores pesquisaram um pouco sobre você antes de te conhecer, vasculhando sua vida no Facebook, Instagram e muito mais. Mas alô? Você fez o mesmo?

Eu conheço um colega da graduação – bem esperto por sinal – formado em Business e Engenharia da Computação, que conseguiu uma super entrevista em uma startup no Vale do Silício. Ele tinha esperanças de ser um empreendedor também um dia, e por isso estava animado com o call que estava agendado.

O call não poderia ter começado melhor, já que o recrutador e o CEO da startup do Vale concordavam com as colocações técnicas do entrevistado. Mas, no final, empolgado pelas semelhanças encontradas entre entrevistado e entrevistador,  o candidato fez uma colocação ousada: mencionou que uma das empresas da indústria do telecom, que ele conhecia, era particularmente “idiota”.

Um tiro no pé.

O recrutador não mencionou nada no call, que terminou logo em seguida, mas se o graduando tivesse feito a lição de casa, saberia que o recrutador passou 15 anos na empresa “idiota”. E aparentemente, não concordava com a última frase do entrevistado.

Nunca – NUNCA – entre em uma entrevista sem saber tudo o que você pode sobre o seu “melhor amigo” do outro lado da mesa. Não só para não dizer bobagens, mas também para poder dizer coisas que façam sentido e mostrem que você se informou.

 

Por último, mas não menos importante: o que aconteceu em 2006?

Ou 2007, ou 2011. Tanto faz. Não é no ano que estou focando, e sim no buraco sem explicação dentro do seu CV. Talvez você não tenha um, mas muitas pessoas têm, e se você está entre eles, você precisa estar pronto para explicá-lo. De forma clara e concisa.

É verdade que alguns desses buracos são resultado de um trabalho que não está funcionando bem. Você teve o azar, ou seu último empregador não estava feliz com a sua performance. Independente disso, não deixe o empregador imaginando o que seria esse buraco. Frequentemente, recrutadores irão escolher um candidato ‘mais ou menos’ sem buracos no histórico, ou ambiguidades, do quê um candidato forte com um histórico que te deixa meio ‘Hummmm…’. É simplesmente menos arriscado.

Eu entrevistei uma vez uma mulher que contava com um currículo excelente. Com dois anos vazios no currículo. Quando perguntei pra ela, ela respondeu: “Eu me ensinei a jogar golf.”

Com licença?

Anos depois, descobri que a candidata sofreu um burn out, e gastou esses dois anos se recuperando. Se ela tivesse sido honesta, eu provavelmente teria a contratado. Ela era talentosa. Olha – todo mundo tem uma história. Qualquer recrutador decente sabe disso. O que você não pode fazer em uma entrevista é inventar ou mascarar algum fato importante – é parte de você.

Autenticidade importa; e recrutadores que querem isso no trabalho – e a maioria quer – irão checar isso em você. Esteja pronto para fornecer isso, mesmo que signifique dizer algo que não te deixa orgulhoso de si mesmo.

Por fim, é passo a passo que uma entrevista é constrúida – antes, durante e depois. Se resume à isso. Deixe sua preparação fazer isso por você.

 

Por Suzy Welch, em 27 de Julho.

 

 

Post publicado em parceria com a EstágioTrainee.

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